vida e tabagismo
Oi Hellen,
Às vezes, não consigo responder um e-mail extenso rapidamente. O que eu leio de você é uma carta. Não me recordo muito bem da discussão, mas sei que quase invariavelmente, como fumante, adoto o tom polemista. Mas não porque sou fumante, mas porque odeio quando pessoas que se julgam muito esclarecidas, classe média, ficam me entornando uma visão de mundo politicamente correto, um mundo que deveria ser ideal se simplesmente seguisse-mos suas regras, um mundo mapeado por estatísticas, informações de jornal nacional, e essas coisas fruto de nosso avançado iluminismo contemporâneo...
Vc disse sobre qualidade de vida, mas olha só esse termo...Esse discurso imagina quantificar a vida, (nesse momento consigo imaginar quadros, graus, valores, que mostram p. ex. a qualidade de vida em Vancouver no Canadá ser 3x maior que no Rio de Janeiro). Como se pesquisas matemáticas pudessem a partir de sempre falar quem realmente vive melhor que quem. Olha só o termo: qualidade de vida. Não é qualidade "da" vida, omitem da vida o pronome definidamente feminino. A vida vira uma questão técnica.
Em janeiro eu completei 28 anos, mas eu sei que nada pode me dizer se vivi mais, ou menos, que qualquer outra pessoa no mundo que tenha a minha idade. Porque esses meus 28 anos não passaram uniformes, um ano nunca foi o mesmo tanto que um outro.
Eu acabei de ler um livro sobre arte, (modernismos, TJ Clark) e me descobrei como alguém de vanguarda, que hj em dia quer dizer retaguarda. Para mim a liberdade é mais importante que a vida, isso, além de ser moderno, é bastante romântico, eu acho, mas acho que sou assim e td bem....
Sobre esse negócio de fumar ou não, eu acho que mais importante que acabar com o tabagismo, seria oportuno acabar com a culpa, com o ressentimento e o medo (lendo um pouco de nietzsche).
Ariel









